O Índice Bovespa à vista deve subir 100% até início de 2006!

A análise
Após o rompimento da importantíssima resistência ocorrido hoje, o Índice Bovespa deverá ter uma alta expressiva devendo chegar ao nível de US$ 23.000,00 no início de 2006. Este valor equivale hoje, com base na taxa de 2,40 Reais por Dólar à R$ 55.000,00 (*), significando uma variação de pouco mais de 100%.

Uma boa análise técnica começa com o gráfico de longo prazo (o mais longo possível), para que possamos entender as tendências primárias do ativo para o qual se quer prever o comportamento futuro dos preços, e assim sendo, vamos analisar inicialmente a Figura 1 onde está plotado um gráfico diário do Índice Bovespa, indexado (trazido a valor presente) com base no dólar comercial e em escala logarítmica.

Por que o gráfico em dólar?
O gráfico indexado em dólar é utilizado para a análise uma vez que o autor acredita que no longo prazo principalmente (no curto prazo não faz tanta diferença) as tendências se comportam de maneira muito mais harmônica, ou seja, se comportam de maneira tecnicamente mais ortodoxa tornando-se mais fáceis de serem analisadas, do que num gráfico sem indexação. Ademais, como é sabido, 30% do mercado é composto de estrangeiros que logicamente pensam em dólares e dos restantes 70% existem muitos participantes que também pensam em dólares, mas isto é apenas uma explicação para o fato importante de que os gráficos ficam muito mais harmônicos.

No gráfico abaixo extraído de um terminal Enfoque, os preços são retratados desde 1990 e mostram:

  • a tendência de alta iniciada em 1991 e terminada com a crise da Ásia em julho de 1997.
  • um longo período de baixas do topo de 1997 ao fundo de 2002 - entremeado com uma alta iniciada com a desvalorização do Real em 1999 e terminada com o estouro da bolha da Internet em março de 2000
  • uma tendência de alta iniciada em outubro de 2002 que está no seu segundo movimento de alta.

A análise do longo prazo (passado) e o novo ciclo de alta
A primeira análise importante que podemos fazer no gráfico da
Figura 1 é a de que ocorreu um ciclo de alta de 1991 a 1997 com 3 movimentos de alta e um ciclo de baixa de 1997 até 2002 com dois movimentos de baixa. Estes dois ciclos se encaixam com uma perfeição impar na Teoria das Ondas de Elliott e nos conceitos de Charles Dow e R.N. Elliott, dois baluartes da Análise Técnica.

Tanto Dow como Elliott concordam e o autor também, que um movimento principal de alta tem geralmente 3 movimentos impulsivos (no sentido da tendência), que são as ondas 1 a 5 de Elliott que podemos facilmente constatar na tendência de 1991 a 1997. Já os movimentos principais de baixa são compostos de dois movimentos para baixo entremeados por um movimento para cima, são as ondas A, B e C de Elliott que também podemos constatar na baixa de 1997 a 2002. Desta forma podemos entender o movimento todo, de 1991 a 2002, como tendo sido um ciclo completo de Elliott que contém as oito ondas I, II, III, IV, V, A, B e C.

Assim sendo temos o cenário para que possa começar um novo ciclo, que é o que acreditamos está ocorrendo, já desde a nossa última análise de Março de 2004. Neste novo ciclo, já tivemos o primeiro movimento de alta, de Outubro de 2002 a Janeiro de 2004, que corresponde à onda 1 de Elliott, seguido por um movimento de baixa de Janeiro de 2004 até Maio de 2004 que corresponde à onda 2 e agora estamos no segundo movimento de alta que corresponde à onda 3.

Quero declarar que não uso a teoria das ondas de Elliott para prever e sim como complemento de minhas análises, no sentido de classificar as tendências acontecidas de modo a ter uma idéia de onde nos encontramos em termos da tendência de longo prazo, na atualidade.

Até onde irá este segundo movimento de alta que corresponde à onda 3 do atual ciclo
Olhando o Gráfico 1 abaixo podemos constatar visualmente, que o primeiro movimento de alta deste que acreditamos ser um novo ciclo, correspondente à onda 1 (Out/2002 a Jan/2004) tem amplitude bastante semelhante aos movimentos de alta da tendência de 1991 a 1997. Sabe por que? Porque o Índice Bovespa costuma ter movimentos de alta com esta amplitude conforme nos mostra a sua história regressa espelhada no gráfico abaixo.

Gráfico 1 (escala em Reais)
(*) - Nota do autor: Devido ao fato de que o gráfico mencionado é corrigido pelo Dólar Comercial, o valor de 55.000 da previsão acima refere-se às cotações de hoje dessa moeda. Caso o Dólar suba, esse valor irá subir e vice-versa. A curva do gráfico acima entretanto ficará inalterada mudando apenas os valores da escala. Para uma melhor compreensão, note por exemplo no gráfico acima, o fundo do final de 2002 que está hoje a 5.00. Esse é seu valor real em dólares com base na cotação de hoje, pois seu valor nominal (aquele que foi publicado no jornal em outubro de 2002) de 8.370, quando da elaboração do gráfico, foi dividido pelo Dólar do dia 16/10/2002 (3,92) e multiplicado pelo fechamento do Dólar comercial de hoje ou melhor, do último pregão que foi ontem 01/08/2005 (2,369). O valor abaixou dos 8.370 nominais para os 5058,30 reais, porque dividimos essa cotação do Índice Bovespa do passado, por um valor maior (3,92) e multiplicamos por um valor menor (2,902). Se o dólar tivesse subido neste período ao invés de ter baixado, o valor nominal de 8370 teria subido proporcionalmente. Esta é a maneira de corrigir um gráfico em dólar mantendo a escala em Reais. A outra maneira de corrigir um gráfico com a cotação do dólar é dividir todas as cotações pelo dólar do dia quando então a escala ficará em dólares. Os Gráficos 2, 3 e 4, têm sua escala em dólar.

O fato é que não temos porque acreditar que o segundo movimento de alta deste novo ciclo, o que começou em Maio de 2004 e que acreditamos será a onda III deste novo ciclo, será menor em amplitude do que o movimento que o precedeu (Out/2002 a Jan/2004). Falando um pouco dos fundamentos, devemos lembrar, que o primeiro movimento aconteceu com a expectativa de que o presidente Lula faria um bom governo no que diz respeito à Bolsa de Valores. Leia-se Economicamente! Já o segundo movimento está ocorrendo quando já se sabe que a economia tem sólidas bases como temos podido constatar com os constantes índices econômicos publicados e ainda os comentários do FMI e do presidente do Banco Central.

Tecnicamente falando, temos a favor desta hipótese o fato de que geralmente, conforme atesta a teoria de Elliott e pode-se constatar facilmente, numa observação de gráficos históricos, o segundo movimento de alta de uma tendência (a onda 3) é geralmente maior do que a primeira onda e muitas vezes maior que o terceiro movimento de alta (onda 5). Sim, porque a primeira onda é aquela em que o exército dos comprados ainda está ressentido de ter apanhado tanto na tendência de baixa anterior. Já no segundo movimento os comprados estão muito mais confiantes.

O Triângulo Ascendente
Outro aspecto que pode ser constatado no gráfico abaixo e que indica que o atual movimento de alta ainda tem muito para subir, é o fato de que formou-se nos últimos 6 meses uma acumulação que tem características de Triângulo Ascendente e que costuma dar continuidade ao movimento que o precedeu (de alta). Um outro Triângulo Ascendente com características muito parecidas com este ocorreu em 1996 no final da onda V do ciclo 1991/1997 conforme o destaque no
Gráfico 1 . Observe o que ocorreu após o rompimento do Triângulo de 1996. Os preços subiram violentamente. É exatamente isso que acredito deverá ocorrer no Índice Bovespa a partir de agora, uma grande e última alta nos moldes da que ocorreu após o Triângulo de 1996 ou ainda, observando o passado mais recente do Índice, igual ou parecida à que ocorreu no final de 2003. Está alta deverá preceder uma correção mais acentuada do Índice Bovespa mas até lá, deveremos ter uma alta de pouco mais de 100% conforme já afirmei acima.

O novo ciclo de alta e suas tendências secundárias
No
Gráfico 2 abaixo, podemos observar melhor o primeiro movimento de alta da Tendência de Alta de Longo prazo atual, iniciada em Out/2002 que foi composto por 5 ondas secundárias de alta (1, 2, 3, 4 e 5) compondo a primeira onda primária (onda 1) de alta que precedeu as três ondas do movimento corretivo que compôs a onda 2. O fato da resistência do Triângulo Ascendente ter sido rompida hoje conforme iremos constatar com mais detalhe no Gráfico 3, confirma a análise de que a onda 3 deste novo ciclo ainda não terminou. Deveremos ainda ter a onda 5 (secundária) para terminarmos a onda 3.

É muito importante também o fato que a resistência do Triângulo Ascendente coincide com o topo da Bolha do Nasdaq constituindo-se numa resistência "nota 10", que só consegue ser rompida se os comprados estão muito, muito fortes. O pregão de hoje "falou alto" para o Analista Técnico, no sentido que os comprados estão de fato muito fortes. Outro aspecto que para bom "entendedor de fundamentos" é também bastante esclarecedor no sentido da força dos comprados, é o fato que o mercado não deu nem bola para a crise política que o Brasil vive neste momento com o depoimento do Deputado José Dirceu no Conselho de Ética coincidindo com o mercado rompendo está tremenda resistência do Triângulo Ascendente. Perceba a força dos comprados. Não fosse para "tomar o rumo", não acredito que haveria força suficiente para romper tão importante resistência.

Gráfico 2 (escala em reais)
Os bastidores do Triângulo Ascendente e seu rompimento
Note que no Triângulo Ascendente (Gráfico 3), o exército dos comprados vai ficando paulatinamente mais agressivo do que o dos vendidos que estavam vendendo sempre a US$11000 (na taxa de hoje R$ 26.000). Os comprados por sua vez entraram comprando inicialmente a US$ 8700, depois a US$ 9400, a US$ 9700 e finalmente a US$ 10000. Eles estavam indo cada vez com mais "sede ao pote". Ora, hoje os vendidos perceberam isto e passaram a só vender a níveis mais altos. Os comprados acompanharam e a resistência foi rompida.É importante notar que logo acima da resistência os comprados não terão mais que duelar com as ordens de venda que estavam logo abaixo da resistência do Triângulo Ascendente e por outro lado, terão a ajuda de centenas de ordens de stop (das posições dos vendidos) que ou estão já colocadas nos sistemas de "Trade" online ou estarão pipocando como a "ascender luzinhas" na cabeça dos participantes do mercado que nos últimos 6 meses observaram os preços baterem 4 vezes nos US$ 11000 e caírem 14%, 12%, 11% e 8%. Desta vez os preços não caíram, estão acima da resistência. Ora bolas pois acho que então vão subir, é o que irão pensar muitos dos investidores no meu entender.Após o rompimento de um Triângulo Ascendente portanto, com a ausência das ordens de venda que estavam abaixo da resistência e ainda as ordens de stop que devem estar logo acima da mesma, junta-se "a fome com a vontade de comer" e os preços geralmente partem em disparada. O aumento do volume que já começou hoje e que deverá continuar a subir nos próximos dias confirma esta análise e logo colocará os comprados numa posição de terem muito lucro no papel que então irá provocar um processo de realização de lucro com a formação de uma Bandeira, que é o "acidente técnico" natural que acontece logo após os Triângulos Ascendentes. Vale notar que geralmente forma-se duas Bandeiras que é o que basta para os mais desconfiados realizarem seus lucros. Após duas bandeiras os preços costumam ter uma alta mais acentuada conforme ocorreu no final de 1996 após o Triângulo Ascendente mencionado acima.

O objetivo do Triângulo Ascendente
O Triângulo Ascendente após sua confirmação que acredito ocorreu hoje, projeta um objetivo inicial que é igual à sua altura, conforme destacado em azul no
Gráfico 3 abaixo. Este objetivo é considerado como sendo dos mais precisos da análise técnica e os preços muitas vezes atingem rapidamente este objetivo onde geralmente ocorrem Bandeiras ou Retângulos antes dos preços partirem para seu objetivo de longo prazo, razão pela qual acredito que o nível de 13.500/14.000 em dólares deverá oferecer resistência. Vale dizer que o nível de US$ 12972 corresponde ao topo da crise da Ásia (lembrando que é em dólares) e deverá também oferecer resistência já que da última vez que este nível foi atingido o Índice Bovespa caiu inicialmente em torno de 75% (Crise da Ásia mais crise da Rússia), ainda que já se vão quase 8 anos que isto aconteceu.

Gráfico 3 (escala em dólares)

O fator tempo. Quando chegará lá?
As previsões da análise técnica, como a de alta de 100% de alta que ela nos proporcionou acima, geralmente são tão grandes e fartas, que os analistas não se aventuram a imaginar, quando os níveis previstos serão atingidos. Não vejo porque, entretanto, não se possa utilizar o passado recente do Ibovespa para tentar entender o que, digamos assim, é possível de acontecer no futuro. Para tal vamos imaginar que após o rompimento do Triângulo Ascendente os preços repitam o que fizeram a partir de agosto de 2003 (reta verde), até janeiro de 2004. Note que a coincidência destas datas com as atuais não implica necessariamente nada em termos de sazonalidade do Ibovespa, sendo apenas uma simples coincidência.O fato é que se o Índice Bovespa pôde ter um comportamento como este no primeiro movimento de alta, ele tem ainda mais razões para repetí-lo agora que se encontra neste segundo movimento de alta. Bem, continuando nosso pequeno exercício de futurologia ou como digo em meus cursos, "análise técnica de padaria", caso este comportamento se repita (eu acredito que pode ser ainda mais agressivo) acontecerá no futuro o que está indicado na reta verde (cópia fiel da anterior) que se estende para o futuro a partir de hoje quando acredito que foi confirmado o rompimento do Triângulo Ascendente.A reta verde encontra o objetivo de alta de US$ 23.000 (ou R$ 55.000,00, com base na taxa de 2,40 Reais por Dólar) em qual data futura?
Bem, o
Terminal Enfoque ainda não tem implantado o recurso (em breve terá) de projetar as datas futuras na escala de tempo, mas com a reta horizontal vermelha resolvemos este problema.
Veja abaixo uma reta horizontal vermelha idêntica à de cima que começa em agosto (2004) ela termina em janeiro, nos levando a crer que o objetivo de alta que estou projetando, poderá ser atingido no início de 2006

Vale notar que quando se captura a reta verde usando o recurso disponível no terminal Enfoque, constata-se que este tipo de comportamento agressivo de alta é bastante comum no Índice Bovespa, tendo ocorrido diversas vezes no passado recente, como se pode também observar no Gráfico 1.

Gráfico 4 (escala em dólares)

Armadilha para comprados?
É claro que a análise acima pode estar errada e que os preços podem voltar para dentro do Triângulo Ascendente. Quando nos propomos a prever o comportamento futuro dos preços, temos que lembrar que estamos lidando com o imponderável pois muitas coisas podem acontecer. Se de fato o rompimento ocorrido hoje não se confirmar amanhã ou nos próximos dias e os preços caírem ao invés de subir estaremos diante de um quadro bastante baixista já que após terem a faca e o queijo nas mãos os comprados terão falhado em dar continuidade à alta e isto é muito baixista. Esta possibilidade entretanto é bastante remota na minha opinião, dado o rompimento significativo ocorrido no pregão de hoje conforme se observa no Gráfico 3 acima.

Devemos ter em conta também que esta análise como toda e qualquer análise técnica ou fundamental, leva em conta o conjunto de fatores fundamentais que está afetando o mercado de ações Brasileiro no momento. Caso este cenário seja modificado, com mudanças na macroeconomia Brasileira para citar apenas uma dentre muitas possibilidades, está análise, assim como todas as outras, terá que ser refeita.
Felizmente os fatores fundamentais não mudam a toda hora e no momento, a análise técnica está a nos dizer que eles estão favorecendo tremendamente o exercito dos Touros

Bom segundo semestre e boa sorte!

Voltarei quando tivermos novos importantes fatores técnicos.

Fausto de Arruda Botelho CFTe; CNPI
Certified Financial Technician – IFTA
Certificado Nacional de Profissionais de Investimento - registrado na CVM
Diretor Geral da
Enfoque Informações Financeiras Ltda. (Enfoque).

Bovespa - Vem aí uma correção mais acentuada

O Índice bovespa deverá sofrer uma correção mais acentuada a partir de agora, devendo chegar aos 14.500 (*) pontos nos próximos meses, vejamos porque.
Para entender o comportamento atual do mercado, é muito útil ter à mão o histórico de longo prazo deste ativo. Para tal iremos analisar um gráfico diário, indexado em dolar comercial e em escala logarítmica. No gráfico abaixo os preços são retratados desde 1990 e mostram:
  • a tendência de alta iniciada em 1991 e terminada com a crise da Asia em julho de 1997.
  • um longo período de baixas do topo de 1997 ao fundo de 2002 - entremeado com uma alta iniciada com a desvalorização do Real em 1999 e terminada com o estouro da bolha da Internet em março de 2000
  • uma tendência de alta iniciada em outubro de 2002.
Gráfico 1
(*) - Nota do autor: Devido ao fato de que o gráfico mencionado é corrigido pelo Dólar Comercial, o valor de 14.500 da previsão acima refere-se às cotações de hoje dessa moeda. Caso o Dólar suba, esse valor irá subir e vice versa. A curva do gráfico acima entretanto ficará inalterada mudando apenas os valores da escala. Para uma melhor compreensão, note por exemplo, o fundo (valor mínimo) de 16 de outubro de 2002 que está hoje a 6.088. Esse é seu valor real pois seu valor nominal (aquele que foi publicados no jornal em 17 de outubro de 2002) de 8.224, quando a elaboração do gráfico, foi dividido pelo Dólar do dia 16/10/2002 (3,92) e multiplicado pelo fechamento do Dólar comercial de hoje ou do último pregão que foi sexta feira passada (2,902). O valor abaixou dos 8.224 nominais para os 6.088 reais (trazido a valor presente pelo Dólar), porque dividimos essa cotação do Índice Bovespa do passado, por um valor maior (3,92) e multiplicamos por um valor menor (2,902).
A primeira análise importante que podemos fazer no gráfico 1 diz respeito à atual tendência de alta (iniciada em outubro de 2002).
Será ela o início de um novo período de alta como o que tivemos de 1991 a 1997 ou será apenas uma reação da tendência de baixa iniciada em 1997?
Apesar de que a reta de resistência (em preto) que passa nos topos de 1997, 2000 e 2004 do gráfico 1, ainda não foi rompida, temos uma análise bastante convincente de que os preços escaparam da tendência de baixa iniciada em 1997 que é o fato de que os preços corrigiram bem mais do que o esperado para uma correção (de 38 a 62%) do total da baixa. Para constatar esses valores oriundos da série de números fibonacci estão marcadas no gráfico 1 linhas horizontais verdes que mostram os percentuais de retração de 38, 50 e 62% de retração da tendência de baixa. Constata-se facilmente que se fosse um reação da tendência de baixa, a alta deveria ter parado no primeiro (38%), no segundo (50%) ou no terceiro (62%) fatores de correção fibonacci em relação à amplitude da alta, o que não aconteceu e nos leva a crer que a tendência iniciada em outubro de 2002 é uma nova tendência de alta e não, apenas uma reação da velha tendência de baixa.
Bom para o Brasil!
Muito bem, até onde irá essa tendência?
Um analista técnico tem todo o direito de imaginar que essa tendência poderá ser aproximadamente igual em amplitude à tendência que precedeu (91-97) mas vamos colocar os pés no chão e nos ater ao futuro mais próximo.
A tendência iniciada em 2002 já tem uma amplitude comparável àquela dos movimentos de alta da tendência 92-97 e portanto podemos começar a imaginar que ela pode ter terminado.
Outro aspecto que leva a essa conclusão é a constatação de que a tendência de 2002 já teve 3 movimentos de alta.
A esse respeito, vamos voltar para os primórdios da análise técnica e os conceitos de Charles Dow e R.N. Elliott, dois baluartes da Análise Técnica. Ambos concordam e o autor também, que um movimento principal de alta tem geralmente 3 movimentos impulsivos (no sentido da tendência) entremeados por dois movimentos corretivos. São as ondas 1 a 5 de Elliott. Já os movimentos principais de baixa são compostos de dois movimentos para baixo entremeado por um movimento para cima, são as ondas A, B e C de Elliott.
Veja como esses movimentos ou ondas ocorreram de maneira totalmente ortodoxa na grande tendência de alta de 1991 a 1997 e na tendência de baixa de 97 a 2002, no gráfico 2.

Gráfico 2
Já o gráfico 3 abaixo que ilustra apenas a tendência de alta de 2002 mostra que os preços já fizeram 3 movimentos de alta (ondas 1 a 5) exatamente como se poderia esperar que fizessem. Os dois primeiros movimentos de alta (ondas 1 e 3) que ocorreram na expectativa da melhora da economia foram de amplitude (variação % por se tratar de escala logarítmica) quase idêntica enquanto que o terceiro movimento (onda 5) que ocorreu depois da conhecida melhora da economia, com os juros já caindo e a mídia "dando uma forcinha" para a alta, foi de amplitude consideravelmente maior que os dois primeiros, exatamente como costuma acontecer nas tendências.
Não se pode afirmar que não haverá mais um movimento de alta mas o fato de já terem ocorrido 3 movimentos de alta, permite ao analista técnico que ele procure por indícios de reversão da atual tendência que é exatamente o que tenho feito desde que o topo de janeiro foi se delineando.
O fato é que 3 movimentos de alta são mais do que suficientes para tirar o mercado de uma situação de sub valorização para uma situação de super valorização ainda que momentânea, que passa a requerer pelo menos uma correção para um valor mais baixo antes que os preços voltem a subir, como acho que vai ocorrer com o Bovespa após essa queda que acho que está se iniciando.

Gráfico 3
No gráfico 4 podemos perceber várias evidências de que a atual tendência está se revertendo.
Em primeiro lugar tivemos fundos consecutivamente mais baixos o que coloca os preços numa tendência de baixa ainda que de curto prazo. Note-se que em momento nenhum da tendência, desde 2002, tivemos uma situação comparável a essa, que nos mostra que a força de compra, os Touros, estão perdendo a força.
Após o topo de janeiro, os preços se acumulam numa formação que tem características de retângulo e que costuma dar continuidade ao movimento que a precedeu (movimento de baixa do topo até o suporte a 21.000) e portanto deverá resultar na quebra do suporte aos 21.000 com os preços caindo rapidamente para o objetivo do retângulo a 18.500, exatamente onde houve uma acumulação na alta entre outubro e novembro de 2003 que mostrou ser um triângulo ascendente.
Ao analisar o retângulo pode-se observar que as quedas são muito mais fortes do que as altas dentro dessa formação que confirma a perda de força ou exaustão dos comprados e mostra também o aumento da força dos vendidos.
Finalmente temos a acumulação dos últimos 8 dias que tem características de bandeira de baixa que significa apenas a ação de uma força artificial de compra segurando os preços. A força é artificial pois é composta por indivíduos que compram, não necessariamente por acreditarem que vai subir, mas apenas porque caiu muito. Assim que é sanada a necessidade desses "caçadores de barganhas" ou adivinhadores de fundo, a pressão de venda principal deverá ser retomada com o rompimento da bandeira para baixo e os preços possivelmente rompendo o importante suporte a 21.000.

Gráfico 4
A última pergunta que se pode fazer é até onde irão os preços se a tendência for de fato revertida com o rompimento do suporte a 21.000 coincidindo com o rompimento da reta suporte?
A reta suporte mostra que o "timoneiro" dessa alta de 2002~2004, que é a massa de indivíduos que opera na bovespa, respeitou o rumo da reta, navegando acima da mesma durante 1ano e cinco meses. Quando o analista técnico vir os preços abaixo da reta entenderá que o "timoneiro" está dando um recado para ele de que não está mais respeitando a reta. Bem, depois de uma tendência com 3 movimentos de alta, o "timoneiro" costuma assumir um rumo inverso ao anterior e as chances são que uma tendência de baixa se estabeleça e leve os preços para....?
Bem, uma área bastante estudada da análise técnica diz respeito a essa pergunta e a resposta é que os preços costumam corrigir de 38 a 60% da amplitude da alta anterior. Como estamos analisando a alta iniciada em 2002 então as linhas horizontais azuis dos gráfico1,2,3 e 4 acima mostram onde os preços chegarão se corrigirem 38% da amplitude da alta - 14,700. (Veja a nota do autor em azul acima)
Para os que não acreditam que uma correção dessa monta possa ocorrer vale a pena dar uma olhada no passado recente do Ibobespa, mais precisamente na tendência de 1991~1997 onde as amplitudes do primeiro (91a 92) e segundo (92 a 94) movimentos da tendência de alta, estão marcadas com linhas roxa e preta respectivamente no gráfico 1. Note que após esses movimentos, o mercado sofreu correções de mais de 38% ambas as vezes. Após o terceiro movimento ou onda 5, (95 a 97) o Ibovespa corrigiu muito mais do que 38% porque na verdade a tendência de alta de 6 anos foi revertida. Quando os preços chegaram em 6.000 haviam corrigido pouco mais do que 50% da amplitude da tendência iniciada em 1991 e terminada em 1997.
Sim! Os mercados corrigem de 38 a 62% da amplitude de uma tendência de alta ou de baixa quando essa tendência é revertida e temos todos os ingridientes para esperar que ocorra agora uma correção desse porte no bovespa.
No nosso caso, levando em conta a inclinação da atual tendência de alta e a das correções passadas, acho que em se confirmando a análise acima o mercado poderá sofrer a correção mencionada, nos próximos 3 meses e poderá voltar a subir a partir do próximo semestre. Não se pode descartar entretanto que a correção seja maior do que 38% quando então teríamos que esperar um pouco mais por um novo ciclo de altas.
A confirmação da análise acima virá com o rompimento do suporte a 21000 e a quebra da reta resistência. Caso o suporte a 21.000 não seja rompido e os preços rompam a resistência do retângulo acima, essa análise estará anulada ainda que temporariamente e os preços poderiam no mínimo testar novamente o topo principal.
Boa sorte!


Fausto de Arruda Botelho CFTe; CNPI
Certified Financial Technician – IFTA
Certificado Nacional de Profissionais de Investimento - registrado na CVM
Diretor Geral da
Enfoque Informações Financeiras Ltda. (Enfoque).

Os Comprados jogam a toalha

O estudo do Gráfico semanal (escala logarítmica) acima, feito pela Enfoque, nos mostra que o Índice Dow Jones esteve numa tendência de alta iniciada em meados de 1982 com três movimentos muito bem definidos e de amplitudes percentuais muito similares. Constate no gráfico, os três movimentos abaixo descritos:

    • Primeiro movimento: Começou em 09 de agosto de 1982 com o índice cotado a 788.05 e terminou com o crash de 1987 cujo topo foi em 17de agosto de 1987 a 2709.50 perfazendo uma variação percentual de +243% em aproximadamente 5 anos.
    • Correção deste movimento: Uma correção de -40% em relação ao topo atingido, em pouco mais de 2 meses, que teve como clímax de baixa o crash de 1987.
    • Segundo movimento: Começou no dia 20 de outubro de 1987, um dia depois do crash, quando o Dow atingiu a cotação mínima de 1616.20 e terminou pouco mais de 6 anos depois em 31 de janeiro de 1994 quando o Dow fechou a 3978.40 mostrando uma variação percentual de +146%
    • Correção deste movimento: Uma grande acumulação que durou pouco mais de 10 meses e chegou a corrigir os preços em -12%
    • Terceiro movimento (e último em nossa opinião): Coincide com a era da Internet tendo se iniciado quando o Dow fez uma mínima de 3639.00 em 9 de dezembro de 1994 e terminou em 14 de janeiro deste ano com a máxima de 11750 perfazendo uma variação percentual de +223% em pouco mais de 5 anos.

Normalmente, três movimentos no sentido da tendência ou "3 Pernas" de alta, são mais do que suficientes para tirar os preços de um nível subvalorizado e levá-lo para um nível super valorizado, já que no segundo e terceiro movimentos, a euforia que toma conta do mercado faz com que a tendência de alta passe de passagem pelo seu "Valor Real", e alcance estes níveis supervalorizados. Em outras palavras, é com muita frequência que os mercados revertem ou sofrem uma correção mais acentuada após 3 pernas de alta.

Mas deixemos a análise de longuíssimo prazo de lado, para fixarmos nossa análise na ultima perna que é por si uma tendência de longo prazo. De fato essa tendência iniciada no final de 1994 e que coincide com a explosão da Internet, durou mais de 5 anos. O gráfico abaixo mostra o detalhe dessa tendência que tem 4 movimentos de alta, com amplitude e ou variação percentual muito similares:

Nesta análise de longo prazo vemos que existe e é muito provável de acontecer, a possibilidade de termos uma correção mais acentuada nessa tendência de longo prazo. Não se preocupe que o gráfico não foi indexado ou que a inflação americana não tenha sido descontada pois faria muito pouca diferença em termos gráficos. O ângulo de inclinação da tendência de alta seria um pouco amenizado mas as análises abaixo continuariam totalmente válidas.

O fato é que após 4 pernas de alta podemos e devemos esperar que aconteça uma correção mais acentuada. Até onde pode chegar essa correção que acreditamos vai acontecer? A técnica dos números fibonacci diz que após uma expansão podemos esperar que o mercado corrija de 38 a 62% da amplitude percentual do último movimento de alta. Considerando que o último movimento foi a Perna 3 da tendência de longo prazo, vemos no gráfico abaixo que a retração de 38% seria equivalente ao mercado voltar para o fundo da crise da Rússia, onde ele esteve em Outubro de 1998.

Mas para saber se é agora, a partir dessa atual acumulação que o Dow Jones irá começar a cair (ou se ele ainda sobe mais antes disso), podemos observar a atual acumulação que começou ha quase dois anos, em abril de 1999, quando os 10.000 pontos foram finalmente rompidos, sob o prisma de tentar descobrir qual dos exércitos irá vencer essa acumulação. Na verdade hoje ficou claro que os comprados jogaram a toalha e os vendidos finalmente, após dezoito anos de derrotas, hastearam sua bandeira de vencedores da atual batalha. Vejamos porque:

O Analista Técnico observa as acumulações sob o prisma de tentar adivinhar quem ganhará a batalha que ocorre entre os exércitos dos comprados e dos vendidos que ficam meses se digladiando nestas faixas de preços. A batalha é ganha quando um dos exércitos consegue fazer os preços romperem esta faixa de preços. Se para cima, os comprados ganham; se para baixo, a vitória é dos vendidos. Essa batalha atual foi travada entre os níveis de 11.750 e 9654.60 exatamente. Com o fechamento de hoje do Dow Jones a 9486.2, ficou fácil para os analistas técnicos saber que os vendidos ganharam a batalha

A vitória é acompanhada, certamente de uma polpuda recompensa, simplesmente porque enquanto os preços ficaram nos últimos 2 anos oscilando nessa faixa de preço, eles ganharam muita energia potencial, por causa das ordens de stop que foram colocadas logo abaixo do chamado nível de suporte (a parte de baixo do campo de batalha) a9654.6. Na medida que o mercado veio abaixo de 9654.60, essas "ordens a mercado" foram acionadas como se fora um rastilho de pólvora, fazendo os preços recuarem rapidamente para baixo e para longe do campo de batalha. Essa é a recompensa do vendidos que agora vão poder comprar bem mais barato auferindo grandes lucros.

O rompimento da reta suporte de longo prazo em destaque no gráfico acima, bem como das médias móveis que se mantiveram intocáveis durante 7 anos confirmam a vitória dos vendidos sendo mais uma indicação de que está ocorrendo uma reversão desse movimento de alta, com o Dow Jones devendo sofrer uma correção mais acentuada que como dissemos seria no mínimo igual ao primeiro número Fibonacci (retração de 38.2%) que está destacada no gráfico abaixo.

Assim, em função das razões expostas, acreditamos que o Índice Dow Jones reverteu sua tendência de alta e vai entrar agora numa tendência de baixa que deverá levá-lo inicialmente até o nível em que ele esteve no final da crise da Rússia em Outubro de 1998, a 7.500 pontos. .




Fausto de Arruda Botelho CFTe; CNPI
Certified Financial Technician – IFTA
Certificado Nacional de Profissionais de Investimento - registrado na CVM
Diretor Geral da
Enfoque Informações Financeiras Ltda. (Enfoque).